La San Bartolomeu, em Nápoles, no mesmo sítio

La Serva Padrona, de Giovanni Battista Pergolesi e libreto (texto) de Gennaro Antonio Federico, tendo como base uma peça de Jacopo Angello Nelli, foi escrita como um intermezzo ou intermédio, isto é, um pequena ópera cómica realizada entre os atos de uma ópera séria, na tradição da commedia dell’arte, de forma a preencher o intervalo dessa ópera, distraindo, assim, os espectadores e, também, permitindo a mudança de cenário no palco. Na terra natal de Pergolesi, Nápoles, a ópera buffa adquiriu esta forma, intermezzo. Ao longo do tempo, sentiu-se a necessidade de aglomerar os intermezzi (intermédios) numa só peça e geralmente eram destinados a dois ou três cantores, um baixo e um ou dois sopranos. Relativamente ao texto, este era enfasado através de recitativos, alternando com árias e duetos. 
Esta ópera foi estreada a 28 de agosto de 1733, no Teatro de San Bartolomeu, em Nápoles, no mesmo sítio em que foi também estreada Il Prigioniero Superbo, ópera séria do mesmo compositor. Há que salientar que La Serva Padrona era a mais preferida do público e esta ainda hoje se mantém no repertório, ao contrário de Il Prigioniero Superbo. 
Já após a morte de Pergolesi, La Serva Padrona foi realizada em Paris com a interpretação de italianos. Contudo, esta não teve grande êxito e impacto para o público pois em 1729 já tinham sido apresentados alguns intermezzi por uns comediantes. Apesar de tudo, alguns anos mais tarde, a Ópera de Paris convidou uma trupe de comediantes e cantores italianos, de Eustacchio Bambini, que incluía bailarinos e uma pequena orquestra, para apresentar algumas óperas buffas italianas. Deste modo, La Serva Padrona é apresentada na Académie Royale de Musique a 1 de agosto de 1752, sendo pioneira na apresentação de uma obra em língua não francesa naquele local. Que sucesso! E, devido a isso, originou-se uma divisão entre o público da ópera, denominada Querelle des Bouffons: por um lado, os defensores da ópera buffa italiana (liderado por Jean-Jacques Rousseau), por outro, os defensores da tradição da ópera lyrique francesa (liderado por Jean-Philippe Rameau). Houve uma grande disputa nesta altura entre bufonistas e antibufonistas, ao ponto de existir uma “guerra de panfletos”, na qual ambos os lados fizeram uma enorme propaganda e distribuição de panfletos, cada um defendendo o seu lado. O rei sentiu a obrigação de intervir sobre o que se estava a passar e expulsou os comediantes italianos, oferecendo apoio a Rameau.